Ao
longo do curso da História, algumas religiões sincretizaram, adaptaram ou mesmo
usurparam mitos mais antigos, cultos sumérios, egípcios, persas, entre outros. A
religião judaico-cristã, fez desses expedientes para moldar seus mitos, símbolos
e rituais, sendo que atualmente a maioria desses religiosos desconhecem a
origem de seus cultos e ou comemorações.
MITRAISMO
Embora há muitas controvérsias sobre a
etimologia de Mithra, sua origem remonta a Índia védica, sendo a versão persa
seja a mais conhecida.
Para
os hindus, desde 1380 a.C., tem uma face jurídico-sacerdotal, conciliadora,
luminosa, próxima da terra e dos homens. Mitra é o Deus soberano sob seu
aspecto racional, claro, regrado, calmo, benevolente, sacerdotal.
Para
os persas, o mitraismo precede o monoteísmo zoroastriano.
O Sol é seu olho, é um deus da luz, da aurora, guardião que socorre as criaturas, onisciente e
vitorioso, metamorfoseando-o paulatinamente num deus guerreiro.
Mithra
continua deus do contrato e do acordo (significado em Hindu) e assegura uma
ligação entre os diferentes níveis da sociedade da qual é garantidor da ordem.
É um deus solar com mil olhos e orelhas e, um deus da
fertilidade dos campos e dos rebanhos. Mithra seria filho de Anihata (Anahita),
a gênia feminina do fogo, uma espécie de Virgem Imaculada, Mãe de Deus.
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| Isis e o menino hórus 4.000a.C. / Maria e menino Jesus |
Mithra se une a Ahúra Masda (deus supremo ou todo poderoso), a
partir daí, é adorado como a luz que ilumina todo o mundo.
É Deus de forma humana, representado sob a forma
de um jovem montado num touro e, com uma das mãos, empunha uma adaga para o
degolar.
Seu dia sagrado, o Solis Invictus,
é comemorado a 25 de Dezembro, mesma data do nascimento de Hórus e celebrando a“vinda da nova luz” (essa data é calculada pelas luas e pelos astros para cair
no Solstício de Inverno, a noite mais longa do ano, pois o calendário que
utilizamos, gregoriano, predominou há poucos séculos).
No século IV d.C, por ordem Papal, como as comemorações nodia 25 Dezembro eram populares, com banquetes e grandes festas, usurpou a data,
sendo que a partir daquela data, seria comemorado o nascimento de Jesus e não
mais o deus pagão Mithra.
Mithra era
considerado o “Filho de Deus”; filho de Ahura Mazda, recebeu a incumbência de
matar o touro primordial, matar o touro é o motivo principal do culto mitraico.
Mithra nasce em uma gruta e o céu é sua casa.
Era chamado de “A Verdade”, “A Luz”.
A cena possivelmente se passa numa gruta. Um corvo,
mensageiro do sol, está quase sempre na borda do rochedo.
Vê-se ainda um cão se aproximando para beber o sangue da
vítima, uma serpente enroscada dentro de uma pequena cratera e ao redor de um
recipiente, um leão ameaçador, espigas de trigo sobre o rabo do touro e um
escorpião que pica os testículos do animal morto.
Mitra passa a ser representado como um general militar. É o
Amigo do homem durante a sua vida e seu protetor contra o mal após a sua morte.
Por mais de trezentos anos, os romanos adorarão Mitra, No
final do século III, Mitra era adorado da Escócia à Índia, chegando até a oeste
da China, onde era conhecido como Amigo, nome que indica uma filiação védica.
MITHRA & CRISTIANISMO
Os pontos comuns entre o cristianismo e o mitraísmo são inúmeros:
O nascimento de Cristo é anunciado por uma estrela assim como
o de Mitridate Eupator.
Ambos são nascidos de uma Virgem Imaculada que toma o nome de
Mãe de Deus.
A caverna, a gruta são os locais de nascimentos tanto de
Cristo quanto de Mitra.
A presença de pastores e de seu rebanho também estão
presentes em ambos os nascimentos.
O ouro, símbolo do Sol, tem uma importância crucial na
liturgia cristã.
Deus é Amor mas também Luz. Comemora-se o nascimento dos dois deuses em 25 de dezembro (embora Jesus tenha nascido provavelmente em março) solstício de Verão no Hemisfério Norte.
A vontade de neutralizar as potências do mal, a guerra entre
as duas potências e a vitória do Bem.
A consagração do pão e do vinho estão presentes entre os
cristãos e os iniciados de Mitra.
No grau de Soldado (Miles), o iniciado é marcado com uma cruz
de ferro em brasa sobre a fronte ( a marca da besta).
A imortalidade da alma e a ressurreição final.
A fonte jorrando da rocha, a utilização de sinos, os livros e
as velas, a água santa e a comunhão.
A insistência numa conduta moral, o sacrifício ritual, a
angeologia, a teologia da luz, dualidade deus-diabo, o fim do mundo e o
apocalipse são também comuns em ambas as religiões.
As missas são celebradas no Domingo de manhã (fora da
tradição judaica do Sábado), O Dia do Sol, a Igreja latina alterou os nomes dos
dias justamente por esse motivo, o Sunday, virou domínicas, dia do senhor).
O chapéu que os papas, cardeais e bispos usam chama-se Mitra
e o templo maior de Mithra ficava em um lugar conhecido como Colina Vaticano,
que também foi “substituído” pela Igreja principal católica.
Várias civilizações associavam o touro poder e força, vigor,
desde o Minotauro que foi morto por Terseu, na Grécia antiga, às touradas
atuais ou aos rodeios, ou mesmo o churrasco aos domingos, a figura do touro é
central.
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| Influência de Mithra na Grécia |
Entretanto, há outra explicação, a cósmica: a precessão dos
equinócios, literalmente um círculo imaginário, riscado na esfera celeste pela
projeção do eixo de rotação terrestre, resulta de um movimento vagaroso para
trás ao longo do zodíaco, passando sobre uma constelação do zodíaco a cada Era
de 2.160 anos (aproximadamente) e percorrendo todo o zodíaco a cada 25.920
anos ( O grande ano).
Vivemos atualmente sobre o final da constelação de Peixes
(Era de peixes), por isso o símbolo de peixes é muito usado no cristianismo,
mesmo sendo um símbolo pagão de origem suméria.
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| Símbolo do zodíaco criado pelos sumérios há +- 6000 anos. |
Em algumas dezenas de anos, estaremos entrando em Aquário.
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| Doc. Zeitgeist dublado (link) |
Em Áries de 2000 a.C. até o nascimento de Cristo, com Moisés,
sendo a figura do carneiro também bastante usada na mitologia hebraica, os
judeus até hoje assopram o chifre do carneiro, shofar, num ritual, também se
usou essa simbologia na alegoria de que Moises ao descer do monte Sinai depara
se com seu povo adorando o bezerro, que representava a Era passada, e Moises se
enfurece.
Entre 4.000 a 2.000 a.C., mais ou menos, A Era de Touro,
assim matando o animal, representa o fim da Era de Touro, início da Era de
Aries, Mitra, o deus Todo-Poderoso, que poderia reger e mudar todo o sistema
cósmico.
Assim como a maçonaria foi a religião clandestina da 3ª República
Francesa, o mitraísmo sustentava subterraneamente a ideologia da Roma Imperial.
O mitraismo influenciou boa parte da maçonaria moderna, com seus ritos, mistérios
e símbolos.
A fraternidade entre os membros, a exigência de uma conduta
moral, a vontade de defender, de maneira ativa e não contemplativa, o bem e a
virtude são, ao mesmo tempo, padrões maçônicos e mitraícos.
A defesa da ordem política e social, o culto exclusivamente
masculino são também pontos comuns.
Ritualisticamente encontram-se os seguintes traços: a mania
pelo número 7, a existência de graus iniciáticos, as velas, os altares, a Luz,
as palavras de passe, etc.
O templo maçônico pode
ser visto como uma gruta mitraíca, a câmara de reflexões; o teto estrelado do
templo tem profunda semelhança com os mitraícos.
Os templários, a tradição judaica e cristã foram os grandes
transmissores de símbolos mitraícos.
Consagrava-se o pão e a água, bebia-se o vinho que
simbolizava o sangue do touro e comia-se a carne assada.
A liturgia constava de ofícios e orações; manducação de pão, de
água e vinho, acompanhadas de fórmulas sagradas; danças de luzes e fórmulas de
êxtase; orações ao nascer do Sol, ao meio-dia e ao ocaso.
Os celtas também
tinham o costume de fazer sacrifícios ao Deus-Sol. Mas ao invés do touro,
sacrificavam o Javali, símbolo do sol. Quem já leu as aventuras de Asterix sabe
que toda vitória era comemorada com um grande banquete celebrado por toda a
vila, em um Ágape Fraternal.
Com o tempo, as pessoas passaram a preferir a eucaristia
vegetariana de Yeshua ao invés do banquete carnívoro de Mithra e o ritual de
culto ao Deus-Sol acabou se transformando no que chamamos hoje de Eucaristia.
QUEDA
Com o cristianismo oficializado no Império Romano, pelo Edito
de Milão, expedido por Constantino, os cristãos rapidamente tomaram os postos
dos sacerdotes pagãos na sociedade, inclusive mantendo as festas, rituais,
vestimentas e indumentárias mitraicas.
Em Roma o papa cristão passou a ser o Pontífice, substituindo
de maneira pomposa o anterior chefe religioso pagão.
O cristianismo ao se tornar religião do Império Romano, se sobressaiu
ao mitraismo por sua feição mais próxima das massas. O mitraismo era uma pratica
com liturgia elitista em pequenas sociedades secretas na qual as mulheres eram
excluídas, sendo muito disseminado entre os militares. Não se propunha ser uma religião
de massa, aberto a todos, e os seguidores de mithra não tiveram a ideia de fazê-lo
morrer para salvar o mundo.
Como os persas eram inimigos hereditários do Império Romano,
os cristãos fizeram de tudo para ligar o mitraísmo a uma religião “inimiga”, persa por excelência, pois os
romanos não deveriam adorar um deus importado do adversário.
Tertuliano presenciou as cerimônias de culto à mithra e chamou este ritual de “Paródia Satânica daEucaristia”, ou “Missa Negra” e muitas das histórias bizarras inventadas sobre
o “satanismo” foram derivadas destes cultos.
No Concílio
de Toledo, em 447, a Igreja publicou a primeira descrição
oficial do diabo, a encarnação do mal: “umser imenso e escuro, com chifres na cabeça e patas de bode”.Claramente uma mistura de Mithra, Pan e Cernunnus (entre outros).
O mitraísmo sobreviveu em Roma até 394 sendo que a Basílica de São Pedro
foi construída sobre o local do último culto mitraíco: o Phrygianum. A partir
daí, o cristianismo construiu, boa parte de seus templos, acima de cavernas que
continham Mithrae, seja em Roma seja nas províncias do Império. A catedral de
Canterbury e a de São Paulo em Londres, o mosteiro do Monte Saint-Michel e
algumas catedrais em Paris estão construídas sobre antigos Mithrae em ruínas.


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