"UMA MENTE EXPANDIDA PELO CONHECIMENTO JAMAIS RETORNA AO SEU TAMANHO ORIGINAL"

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

AK 47 - MAIS QUE UMA ARMA, UM MITO


Uma arma de  tão eficaz e tão simples, até uma criança pode manuseá-la. É  usada dos -40º da Sibéria, como nos +50º do Oriente médio, funciona mesmo com areia, lama, gelo, poeira, é um dos ícones do Século XX, servindo tanto à liberdade como à opressão de inúmeros povos, tribos, sua importância é tanta que até na bandeira de Moçambique está presente.



É considerada a arma mais devastadora do planeta, tanto que até uma biografia foi escrita, sua história é contada no livro “AK-47 – A Arma que Transformou a Guerra”, escrita pelo americano Larry Kahaner.
 

AK-47, sigla da denominação russa Avtomat Kalashnikova odraztzia 1947 goda ("Arma Automática de Kalashnikov modelo de 1947"), é um fuzil/espingarda de assalto, de calibre 7,62x 39 mm criado em 1947 por Mikhail Kalashnikov e produzido na União Soviética pela indústria estatal IZH.

Kalashnikov  então jovem militar do exército vemelho, foi designado como motorista/mecânico de carros de combate, sendo promovido a sargento (comandante de carro de combate T-34) no 24º Regimento de Carros de Combate, da 12ª Divisão de Cavalaria Blindada do Exército Vermelho.
 
Em 1941, com a invasão nazista a Moscovo, teve que ir para dentro dos tanques lutar contra as tropas de Hitler, na Batalha de Briansk. Os alemães bombardearam 90% da cidade e, no meio dela, o tanque de Kalashnikov. Ele teve o ombro direito destruído e foi mandado para o hospital, onde ficou por quase um ano.
Sem nada para fazer, passou o tempo desenhando armas. “Uma vez o soldado da cama ao lado me perguntou: Por que nós temos só um rifle para 2 ou 3 soldados enquanto cada alemão tem armas automáticas?. Então resolvi desenhar uma para nós”, disse ele, em 2003, numa entrevista para o jornal britânico The Guardian.

Sua obsessão, durante a convalescença, era criar um fuzil que ajudasse o Exército soviético a derrotar os alemães rapidamente, e era preciso que ele fosse fácil de manusear e carregar, além de resistente e com alto poder de fogo.

Sua primeira arma foi indeferida em razão da complexidade, no entanto ele foi designado ao órgão de investigação e desenvolvimento de armas leves do Exército Vermelho perto de Moscou, para continuar a sua educação e o trabalho em outras armas.
AK 46 
Após alguns anos de persistência, desenvolveu o projeto final da arma que mudaria o mundo. Há claras semelhanças entre o design da arma de Kalashnikov e suas predecessoras como a alemã Sturmgewehr 44 e a italiana Cei-Rigotti.
O que diferencia é justamente seu design simples, a AK-47 possui apenas oito peças. Pode ser montada facilmente em 60 segundos até mesmo por uma criança que saiba lidar com blocos de Lego e, principalmente, é adaptável à produção de larga escala o que otimiza economicamente e estrategicamente seu uso: no meio do conflito, um soldado pode consertar seu rifle com as peças do outro primeiro que encontre pelo campo.

Tem alta reputação entre especialistas por sua resistência à água, areia e lama, bem como por sua manutenção simples, sua fama é de ser “indestrutível”. Sua fabricação de baixo custo e curto período de tempo, com cadência de 600 tiros/minuto. A velocidade do projétil na boca do cano é de 721 m/s, com munição calibre 7,62 x 39 mm (cartucho curto, padrão russo).

Se o projeto tivesse saído em 1941, naquele mesmo ano a Segunda Grande Guerra teria acabado. Más  seu uso somente foi posto em campo de batalha em 1958, quando a AK47 participou de seu primeiro conflito fora de casa. Com apoio da URSS que proveu os armamentos, o Vietnam do Norte invadiu o Laos e, pouco mais de seis anos depois, quando da invasão sul vietnamita pelos Estados Unidos, as AK-47 provaram seu desempenho nas florestas tropicais lamacentas.
 
 No confronto com seu maior rival, o fuzil de fabricação estadunidense M16, saiu vencedor, pois o fuzil estadunidense era motivo de críticas devido às panes e travamentos, assim o AK-47 por ser mais “simples” era mais confiável e mais resistente ao clima e dificuldades e imprevistos de uma guerra, exigindo menos cuidados de limpeza e manutenção.
 
Sobre sua resistência, soldados estaunidenses que estiveram no Vietnam disseram: “AKs enterradas em áreas de cultivo de arroz por muitos meses, ao serem desenterradas imundas e enferrujadas, disparavam perfeitamente, bastando dar um tranco no ferrolho de ação com o calcanhar da bota.”
 “Nos anos seguintes à Guerra do Vietname, a AK-47 iria se espalhar pelo planeta dando poder e prestígio a traficantes, assassinos e terroristas que mudariam a face do mundo”. A citação é de Lary Kahner e serve a nos ajudar na visão do processo que levaria o rifle de assalto a todos os cantos do planeta: com a vitória em campos asiáticos, a República Soviética decidiu avançar sobre o Afeganistão buscando expandir o comunismo ao Oriente Médio.
Com o fim da União Soviética, grandes estoques de tanques, helicópteros e outros armamentos ficaram inutilizados. Mas por pouco tempo: os próprios militares da ex-república socialista encarregaram-se de negociar clandestinamente todo o arsenal comunista através de figuras como Victor Bout, que inspirou o Yuri Orlov do filme “O Senhor das Armas”.
               Yuri Orlov “O Senhor das Armas”                        Victor Bout    
Iria assim alimentar a demanda dos rebeldes e guerrilheiros africanos; também dos governos que seriam por eles implantados como o da Libéria de Charles Taylor. Este viria a se tornar conhecido como um dos maiores psicopatas da história e a AK-47 viria, mais uma vez, a se tornar ícone de um povo.
Rapidamente os exércitos rebeldes descobriram sua praticidade e que era preciso menos de uma hora de treinamento para sua boa manipulação, o que o tornava perfeitamente adequado para braços e corpos pequenos – as crianças-soldados, mão de obra barata para matar e morrer.
 
Responsável por mais de 250 mil mortes por ano em todo o mundo e, de sua invenção até agora, já alcançou cerca de 100 milhões de unidades. Com exceção da bomba atômica, a Avtomat Kalashnikova é o instrumento bélico que mais causou impacto nos conflitos contemporâneos.
 
A fama de “arma dos oprimidos” – nascida nos arrozais da Guerra do Vietnam – espalhou-se pelo mundo uma imagem incomparável de sinistro glamour e prestígio. 
À distância, seu criador não recebe royalties pela invenção e hoje, vive de forma modesta na Rússia, quase totalmente surdo, entre orgulhoso da filha lendária e constrangido por seu sobrenome ser a assinatura de milhões de mortes em guerras e conflitos. Em 2004, o presidente russo, Vladimir Putin condecorou Mikhail Kala-shnikov com a ordem Ao Mérito Militar.
 
  

 FONTES:

Um comentário:

  1. Mais uma coisa pra guardar na minha memória, rsrsrs! Bem... a arma é realmente poderosa, a queridinha dos traficantes brasileiros e do resto do mundo! Kalashnikov é um gênio e pelo o que entendi, ele fez com intuito de se igualar belicamente aos alemães e não ajudar a fuder o mundo contemporâneo! Bem... qualquer criação bélica ajuda a fuder o mundo! Ótima postagem!

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